Tour de 5 dias em Loulé - Região de Peixeiros, Praias e Vilas na Montanha

1º Dia

Cheguei a Loulé numa manhã de sábado para o início do meu Tour de 5 dias em Loulé, e no 4º dia da minha digressão no Algarve. Fiquei, imediatamente, fascinado pela visão do Mercado de Loulé e suas cúpulas vermelhas brilhantes. Antes de parar aqui, continuei em direção ao mercado cigano de Loulé. O mercado cigano é realizado todos os sábados em frente ao Convento de Santo António. Se gosta de comprar pechinchas, este é o lugar ideal. Desde roupas usadas a joias feitas à mão, há uma infinidade de itens em oferta.

Saí da feira e depois de uma curta viagem estacionei o carro em frente ao Jardim Manuel de Arriaga, que está virado para o Loulé Jardim Hotel, onde passarei a noite. O nome "Jardim Hotel" parece apropriado à medida que se começa a perceber toda a vegetação existente no lobby. Há um vaso com plantas no chão perto do piano, enquanto um outro repousa sobre uma mesa, contrastando com o topo branco da mesma. Sou recebido pela equipa do hotel, que prontamente me direcciona para o quarto depois de fazer o check-in. Deixo a minha mala de roupas e levo apenas o essencial para explorar o resto da cidade.

A primeira paragem, é no lugar mais marcante da cidade - o Mercado Local. Este mercado existe há mais de um século e, embora a sua arquitetura não seja exatamente a mesma de quando o mercado foi fundado em 1908, o seu propósito permanece inalterado - promover o comércio local. De segunda a sábado, vendedores locais reúnem-se para apresentar os seus produtos frescos, como peixe, frutas, verduras, especiarias... e a lista continua...Pode até encontrar pessoas que vendem artesanato local, como potes de mel e sacos de cortiça. Dos seis dias em que o mercado está aberto, a manhã de sábado é de longe o ponto alto da semana.

Quando entro no mercado, não posso deixar de sentir o cheiro do peixe, mas há outros aromas que absorvo à medida que passo por cada banca, como os piri-piris que encontro, perfurados por um fino fio que está pendurado na parte superior das bancadas. Outros vendedores tentam seduzir os clientes, oferecendo uma degustação gratuita antes de comprarem os seus produtos - e quem pode dizer não a uma oferta de comida?

Mas se o Mercado de Loulé fosse um filme, o peixe seria definitivamente o ator principal. Desde cabeças de salmão picadas, bacalhau seco a caranguejos ainda vivos, o mercado oferece uma grande variedade de frutos do mar e os peixeiros são considerados há décadas, os verdadeiros “ídolos” de Loulé.

Depois de percorrer o mercado durante quase uma hora, parei num dos cafés e bebi um expresso, pequeno mas forte, antes de caminhar até ao Convento Espírito Santo, um antigo convento que atualmente funciona como uma universidade e uma galeria de arte. Fiz uma rápida visita à última exposição e depois fui novamente para a Capela de Nossa Senhora da Conceição.

Esta pequena capela foi fundada em meados do século XVII. Parece bastante modesta do lado de fora, com a sua fachada branca simples, mas ao entrar poderá desvendar o seu tesouro. As paredes são inteiramente cobertas de azulejos azuis e brancos e logo abaixo há um altar dourado com uma série de figuras religiosas. O vidro transparente no chão permite contemplar uma porta islâmica do século II que foi encontrada durante as escavações. São esses recursos exclusivos que fazem com que esta capela seja merecedora de uma visita.

Para o almoço, escolhi o Restaurante Bocage, um restaurante local que serve comida tradicional algarvia desde 1984. Os pratos grelhados são a especialidade do Bocage. Seja carne ou peixe, há uma versão grelhada de praticamente tudo no menu. Também têm especialidades diárias. Hoje, tinham carne de porco à “portuguesa” e coelho guisado. Optei pela carne de porco e acompanhei a refeição com um copo de vinho tinto.

A minha viagem por Loulé teve um bom começo e estava ansioso por ver o resto dos seus pontos de referência.

Mapa do percurso da manhã do 1º Dia do Tour em Loulé





Depois do almoço, visitei o Museu Municipal de Loulé para saber mais sobre o passado do concelho. O Museu é dividido em diferentes centros espalhados pelo distrito. O centro principal na cidade de Loulé, apresenta uma cozinha tradicional do Algarve de meados do século XX. Possui uma variedade de utensílios antigos de cozinha, como tábuas para panificação, panelas de cobre e uma pedra de moinho usada para fazer farinha de milho, entre outros itens.

Logo atrás do Museu, encontrei o Castelo de Loulé. Este edifício mourisco foi reconstruído durante o século XIII como fortaleza e é agora um dos principais destaques da cidade. O assentamento original remonta ao século II aC, quando foi ocupado pelos romanos. Hoje, parte das muralhas do Castelo estão integradas em alguns edifícios locais ao redor da área. No topo de uma das torres, a bandeira portuguesa ergue-se de um poste branco, balançando suavemente ao vento.

Continuei o meu passeio pela cidade e passei pela Igreja de S. Clemente. Em pé à sua frente, não pude deixar de admirar a sua geometria, a janela circular no meio e a porta em forma de triângulo. Atrás da Igreja, há também uma torre sineira cuja arquitetura é inspirada pelos minaretes muçulmanos. A Igreja em si foi estabelecida no século XIII e depois restaurada no século XVI. Muito parecida com a capela da Nossa Senhora da Conceição, esta Igreja também tem um retábulo de ouro na parte de trás da sala com algumas estatuetas.

De seguida, parei na Galeria Artcatto, uma das galerias de arte contemporânea de Loulé. Artcatto está geralmente aberta apenas durante a semana, mas pode solicitar uma visita ao sábado também, que foi o que fiz. A fundadora, Gillian Catto é um grande nome na cena artística de Londres, onde dirige a sua própria galeria há mais de três décadas. A viver agora no Algarve, Catto acolhe exposições com artistas nacionais e internacionais, atraindo muitos entusiastas da arte para a cidade.

Cansado da longa caminhada, sentei-me no Café Calcinha, um estabelecimento histórico da cidade de Loulé que testemunhou muitas gerações de residentes e forasteiros. O poeta António Aleixo foi um dos clientes frequentes do café e foi aqui que escreveu vários dos seus poemas. Sentei-me junto à sua estátua no exterior e desfrutei da minha segunda chávena de café acompanhada por um doce local chamado “folhado de Loulé”.

Saí do café e fui até ao Parque Municipal de Loulé, ainda antes do pôr do sol. O parque está aberto 24 horas por dia, tornando-se o local perfeito para um passeio noturno. Tem uma área para piqueniques, mini-golfe, um parque infantil e um circuito de caminhada de cerca de 800 mt. Encontrei um banco livre debaixo de uma copa de árvores e sentei-me a ler um livro até as luzes da rua se acenderem, como se estivessem a anunciar a hora do jantar.

Levantei-me e fui direto ao Artigo Três, um moderno restaurante japonês situado ao lado do mercado de Loulé. Hiroshi e Shogo são os rostos por detrás deste bar de sushi tradicional que abriu no início de 2017. Quando decidiram abrir um restaurante na Europa, a sua principal preocupação era ter o melhor peixe fresco e foi por isso que se estabeleceram em Loulé. O mercado local é uma incrível fonte de peixe fresco e marisco, ingredientes essenciais da culinária japonesa.

O menu do Artigo Três é pequeno, mas compensa em relação à qualidade dos ingredientes oferecidos. Começando com uma deliciosa sopa de missô e seguindo para o sushi e o sashimi que são sempre acompanhados de gengibre e wasabi feito na hora. Se se sentar perto do bar, poderá observar o chef a preparar essas peças deliciosas e totalmente frescas, antes de serem cuidadosamente colocadas em cima de um quadro negro. Comi devagar, saboreando cada peça de peixe e arroz até não haver mais nada para degustar. Terminei a minha última gota de cerveja, paguei a conta e voltei para o hotel.

Mapa do percurso da tarde do 1º Dia do Tour em Loulé





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